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História da pílula anticoncepcional: mais de 50 anos!

A pílula já fez 50 anos. Exatamente no dia 11 de maio de 1960 a FDA, agência reguladora de remédios dos EUA, aprovou a primeira pílula anticoncepcional - Enovid. Uma grande novidade chegava as farmácias e à vida dos casais, interferindo de forma significativa na história da mulher, impulsionando a revolução feminina. Utilizada por 21% das brasileiras entre 15 e 49 anos (dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 2006), a PÍLULA ajudou a encolher o número das famílias e, consequentemente, liberar a mulher para desbravar o mercado de trabalho. Em 1970, a taxa de fecundidade no país era de 5,8 filhos por casal, e o percentual da população economicamente ativa feminina era de somente 28,8%. Em 2007, a fecundidade despencou para quase 2,0 filhos, enquanto a participação da mulher no mercado de trabalho pulou para 43,6%.

A história da pílula

A primeira experiência que identificou os próprios hormônios femininos como uma possível solução para impedir a gravidez ocorreu em 1921. Assim, muitos anos de estudos e pesquisas foram necessários até que o Dr. Gregory Pincus , o "pai da pílula", conseguisse produzir a combinação de hormônios sintéticos semelhantes aos produzidos naturalmente pela mulher, comprovar a eficácia do método hormonal e obter a sua aprovação junto a FDA.

O Enovid foi criado com uma concentração muita alta de hormônios. Sua composição constava de 150 mg de estrogênio sintético e 9,85 mg de derivado de progesterona; isto significa dez vez mais hormônios do que tem a pílula atual. Uma verdadeira bomba de hormônio sintético que provocava inúmeros efeitos colaterais, como a retenção de líquido (inchaço) até problemas mais graves que podiam levar a morte.

Diante das duras críticas que a pílula sofreu, a indústria farmacêutica não cruzou os braços! Abraçou este desafio, de tal forma, que na década de 1970, surgiu a segunda geração de pílulas, com menos hormônios e sem perda da eficácia. A terceira geração de pílulas chegou ao mercado em 1990 com adicionais também importantes para a qualidade de vida da mulher - aliviar sintomas de TPM e acne. A última novidade, agora, é a chamada pílula verde que ao ser eliminada não agride ao meio ambiente. Vendida só na Europa, ela usa uma substância idêntica aos hormônios naturais produzidos pelo organismo.

As pílulas modernas têm uma quantidade muito menor de hormônio que as antigas, estudos já comprovaram, inclusive, que o uso prolongado do anticoncepcional oral, além de não causar infertilidade, diminui o risco de tumores de ovário, do endométrio e colorretal, mas alguns desconfortos ainda podem ocorrer, como náuseas e enxaquecas.

O sucesso da pílula

Fácil de encontrar, simples para usar e com uma margem de segurança alta, rapidamente, este remédio fez o maior sucesso e passou a ser um dos métodos de preferência das mulheres em todo o mundo. Hoje são 100 milhões de mulheres no mundo e, destas, aproximadamente, 9 milhões são brasileiras. Durante estes 50 anos a pílula anticoncepcional foi sendo aperfeiçoada e trouxe mais qualidade de vida para quem a utiliza. Mas, atenção! Nem todas as garotas podem usar a pílula, e, muito menos, de forma indiscriminada sem o devido acompanhamento médico. Dentre a variedade de pílulas que existe, só este profissional poderá indicar aquela que se adeque melhor ao organismo de uma garota.

Um método para adolescentes

A pílula anticoncepcional é sem dúvida um dos métodos mais indicado na adolescência, devendo ser usada, juntamente, com o preservativo. No entanto, este método hormonal ainda gera insegurança, mitos, polêmicas e principalmente dúvidas e equívocos, como o colocado por este usuário do serviço de orientação à distância:

"Fiz sexo sem camisinha com a minha namorada. Ela toma as pílulas anticoncepcionais da forma correta e está em dia com elas. É possível que ela tenha engravidado?"

Teoricamente, a resposta é não. A garota que toma pílula, diariamente ingere uma pequena quantidade de hormônios sintéticos (artificiais), semelhantes àqueles que são produzidos nos ovários – estrógeno e progesterona – que "enganam" o cérebro e impede que a ovulação aconteça. Sem óvulo, não há como o espermatozoide fecundar. Porém, se por um acaso, a menina toma a pílula de forma inadequada, cometendo os erros mais frequentes, como por exemplo, esquecer de tomá-la por um ou dois dias, atrasar o início da cartela ou mesmo interrompê-la antes de chegar ao final, o risco de gravidez pode aumentar muito.

Por isso, a preocupação desse adolescente faz sentido, obviamente, pela pílula, esta é muito eficaz – 99,9%! Mas, pela sua conduta equivocada. A responsabilidade sobre a prevenção de gravidez não é só da garota, mas do casal. A prevenção deve ser compartilhada , pois, quando o garoto deixa de usar a camisinha porque a garota está tomando pílula, ele perde o controle sobre uma das decisões mais importante de sua vida: não ser pai na adolescência.

Escrito por: Maria Helena Vilela

Tags: pílula anticoncepcional

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