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Abstinência sexual não é um método contraceptivo e sim uma escolha pessoal!

Fazer sexo é da natureza humana. Ninguém precisa ensinar ou aprender a identificar um estímulo sexual. A gente simplesmente percebe que algo aconteceu no nosso corpo e gerou um desejo sexual. Tal fenômeno é fisiológico. O estímulo sexual ativa uma área do nosso cérebro, o sistema límbico, que é responsável pelos mecanismos de recompensa do nosso organismo, e este, por sua vez, só é desativado quando o desejo é satisfeito.

Assim, para a prática da abstinência sexual, a privação de estímulo sexual no namoro é fundamental. Em tempo: abstinência sexual significa não experimentar nenhuma intimidade ou não ter nenhuma atividade sexual, principalmente a relação sexual.

Diante do problema da gravidez na adolescência e das DST/Aids, alguns governos, entre eles o dos Estados Unidos, passaram a adotar como principal programa de Educação Sexual o incentivo à abstinência sexual em adolescentes. Esse programa procura informar os jovens sobre os malefícios da atividade sexual e convencê-los da imoralidade do sexo antes do casamento, apresentando a abstinência como única opção saudável e segura contra a gravidez na adolescência e as DST/Aids. Para os responsáveis por esse programa, a informação sobre métodos contraceptivos e o acesso aos mesmos é um incentivo à relação sexual.

A abstinência sexual é, sem nenhuma sombra de dúvida, uma forma de não engravidar, nem contrair uma DST. Mas é viável?!  Já houve uma época em que os casais conseguiam praticar a abstinência sexual até o casamento. Mas a realidade era outra. Vamos conhecer um pouco como a sociedade lidava com a sexualidade há alguns anos atrás e como lida com ela hoje.

Abstinência sexuai até o casamento?! Dá para exigir?!

Controle e vigilância social

Há pelo menos 50 anos, o casal podia namorar, desde que isso acontecesse sob a vista de outras pessoas ou da vigilância da família. Os namorados/noivos só ficavam a sós depois de casados. A sociedade, e mais precisamente os pais, tinham todo o cuidado para que suas filhas não ficassem mal faladas. Assim, para impedir um convívio maior, os encontros também eram programados e só ocorriam em determinados dias da semana, em geral, aos sábados e domingos. Para ir a uma festa, nem passava pela cabeça de um casal ir sozinho. As meninas estavam sempre acompanhadas de seus pais ou tios, e para dançar, antes tinham que ter a aprovação destes adultos que as acompanhavam. Além disso, o local da dança era muito bem iluminado, e a cada passo que o casal dava era seguido pelo olhar dos curiosos e vigilantes da moral e dos bons costumes. Para se ter uma ideia, em alguns bailes, havia, inclusive, um fiscal de dança que convidava o casal a sair do salão caso seus corpos estivessem muito próximos. O rapaz que demonstrasse ou tivesse um comportamento de interesse mais sexual era discriminado neste convívio social. O homem precisava ser galanteador – elogiar a garota e ser muito gentil. As garotas, por outro lado, tinham que ser puras, ingênuas e ter apenas um único namorado, com quem, em geral, casavam ainda virgens e sem nenhuma intimidade sexual.

Vocês podem perceber que, para o casal praticar a abstinência sexual, havia um controle muito rígido. Isto quer dizer que a abstinência não era uma escolha, era uma obrigação. O desejo sexual surgia nas mínimas coisas em que um casal tivesse a oportunidade de estar junto, como por exemplo, o olhar. Porém, satisfazer o desejo sexual, era terminantemente proibido e vigiado.

A liberdade sexual entre os jovens

Hoje, o namoro é mais aberto, o convívio mais intenso e sem nenhuma interferência dos adultos, o que possibilita mais conversa,  privacidade, e, consequentemente  intimidade entre o casal. Festa é um evento só dos jovens, para os jovens e ninguém fica no local acompanhado de um adulto. A pista de dança conta com uma iluminação própria para não se perceberem os casais dançando e o vigia de dança, coitado, este perdeu o emprego faz muito tempo!  A agenda de festas é quase completa de segunda a segunda, para todos os estilos e gostos. E, basta ir a uma delas para surgir a oportunidade de “ficar” com alguém. Hoje meninos e meninas conversam sobre sexualidade e o desejo sexual é valorizado por ambos os sexos. Há casais que se conhecem, se beijam, ficam, brigam e se separam em uma única festa. Mas, há também aqueles que se apaixonam, ficam e namoram por um bom tempo!  Neste contexto, o controle social não existe e o controle sobre o estímulo sexual vai depender exclusivamente da motivação de cada um dos jovens envolvidos no relacionamento afetivo-sexual.

Dá para apostar na abstinência sexual? Como evitar a excitação sexual namorando na privacidade de um quarto ou no escurinho de um cinema? Há alguma pregação sobre os malefícios do sexo que seja capaz de inibir esses momentos prazerosos?

O que você acha disto tudo? Escreva para o SOSex dando a sua opinião sobre a melhor forma de ajudá-los a evitar a gravidez e as DST/Aids.

Escrito por: Maria Helena Vilela

Tags: abstinência sexual

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