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O amor e seus estágios

Na escola, no clube, numa festa, quando menos se espera, acontece o momento mágico em que homem e mulher sentem-se atraídos um pelo outro. A linguagem dos olhos é a que primeiro sinaliza esse encantamento. Uma troca de olhar intencional, por uns longos dois ou três segundos, depois um sorriso e aquele que está fixando o olhar, baixa os olhos e desvia o rosto. Sinal de interesse extremo! Ainda não é amor, mas, a partir desse momento, pode nascer esse sentimento tão desejado.
Primeiro estágio: a paixão

Uma música, um sorriso, o som da voz, o jeito de andar, dançar, o perfume, uma brincadeira inteligente... E pronto!!! O cérebro é invadido por uma onda gigantesca de excitação. A mais leve percepção do ser amado desperta um turbilhão nos apaixonados. Independente de idade, etnia, ou condição socioeconômica, todos experimentam o mesmo estado confuso de expectativa, esperança, agonia e plenitude.

1º Estágio – a Paixão

A paixão é euforia, agonia e tormento. De repente nos pegamos sonhando acordados durante uma aula importante, esquecemos as coisas, perdemos a noção de espaço e tempo, o que nos faz, por exemplo, ficar horas ao lado do telefone esperando ansiosamente que ele toque.

Tudo isso estimula a produção de substâncias em nosso organismo, chamadas "neuraminas", que geram uma energia muito parecida com a das anfetaminas. Tais estimulantes penetram nos centros emocionais do cérebro, por isso os apaixonados podem passar a noite inteira em claro e, na manhã seguinte, ter disposição para começar cedo suas atividades. As neuraminas também são responsáveis pelo otimismo e a expressão cheia de vida, características de quem vive uma paixão.

Não é qualquer pessoa que provoca esse tipo de atração e consegue despertar as neuraminas. Para que ocorra essa "faísca", é preciso haver uma identificação, o que John Money chama de “mapa amoroso”, que funciona dentro de nós como um álbum de fotografias, de modelos de pessoas, que será consultado milhares de vezes ao longo da vida. Um perfume pode fazer lembrar a mãe, uma expressão, recordar os traços do pai. É o "mapa amoroso" que determina, sem a gente saber, a pessoa que é capaz de provocar em nós a paixão.

Mas tal estado não dura para sempre! Com o tempo, o cérebro não consegue mais suportar esta contínua exaltação. As terminações nervosas ficam esgotadas e o êxtase desaparece. Daí a paixão vai diminuindo. Certas pessoas conseguem mantê-la acesa por algumas semanas ou meses. Na adolescência, por exemplo, é comum a paixão durar apenas uma semana. Outras pessoas conseguem sustentá-la por vários anos, principalmente à distância, ou quando se trata de um amor impossível. A maioria dos parceiros, entretanto, que se vêem regularmente sente a euforia da atração durante, no máximo, dois a três anos.

Segundo estágio: o afeto

Quando a paixão diminui, a mente pode ser invadida pelo sentimento muito desejado no relacionamento: o afeto. Segundo o Psiquiatra Vitor Dias, este sentimento é definido como uma sensação de satisfação por ter o outro como companheiro. É quando os amantes passeiam juntos de mãos dadas, dão risadas num cinema, dançam, conversam, sentem-se felizes por estarem um com o outro. O mundo é uma maravilha e qualquer lugar, desde que estejam juntos - um paraíso!

Felizes para sempre?

Nem todos os encontros amorosos terminam como os contos de fadas: "... e eles foram felizes para sempre!" O relacionamento amoroso passa, necessariamente, por uma fase de decepção, frustração, de acordo com o Dr. Vitor. Quando a convivência fica mais intensa, as pessoas começam a ter uma visão mais realista de seu par. Este é o momento no qual a garota descobre que "seu príncipe" não é só romântico, poeta, engraçado e compreensivo: ele fica de mau humor, transpira, é irônico, e muitas vezes intolerante... O garoto descobre que “sua princesa” não é a imagem e semelhança da musa que lhe inspirou os versos, mas uma menina comum: vaidosa, ciumenta, cheia de altos e baixos... Enfim, neste momento do desencantamento, aflora o fato de que a Bela pode virar Fera de uma hora para outra. É a percepção do óbvio: o ser amado, como todo mundo, não passa de uma pessoa com virtudes, mas também com defeitos. É neste momento que as juras de amor caem por terra e se instalam a decepção e a frustração. Mas não significa, necessariamente, que é o final da relação. Na verdade, este pode ser o início da relação amorosa. Tudo vai depender da maturidade e do respeito entre casal para superar a turbulência e, respeitando os valores do outro, conhecer o que talvez seja o verdadeiro significado do amor.

Escrito por: Maria Helena Vilela

Tags: amor,paixão,namoro,ficar

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