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Paternidade na adolescência também existe!

Quando se fala de gravidez na adolescência, o primeiro pensamento é para a garota. É com ela que a sociedade se preocupa, é para ela que vai todo o alerta. Essa atenção se deve a motivos relativamente óbvios: além da gravidez dar-se no corpo da mãe, normalmente é sobre ela que recaem os cuidados e a responsabilidade com o bebê após o nascimento.

Um filho, porém,  é feito a dois. E quando o bebê vem antes da hora planejada pelo casal, na adolescência, milhares de garotos também passam abruptamente das baladas e videogames para o mundo adulto, ou seja, o mundo  da responsabilidade de criar um filho. No entanto pouco ou nada se fala sobre o pai adolescente. Quem é? O que pensa? Qual é a sua relação real com a mãe de seu filho? Qual é a relação com seu filho? Como se posiciona perante o futuro? Há um silêncio na sociedade sobre a paternidade na adolescência; e isso parece dar uma falsa impressão aos jovens de que a paternidade na adolescência não existe.

A paternidade

"Deu positivo! Você será pai!" Esta é, possivelmente, a frase mais temida pelos garotos quando se envolvem sexualmente com uma menina, por mais que apostem no risco, em vez da prevenção. E como sexo engravida, este fato, embora previsível, cai como um balde de água gelada na relação do casal. É hora de tomar decisões... Por um lado, a garota sempre sabe que é a mãe do bebê; por outro, o garoto pode duvidar que é o pai, principalmente, quando não há um vínculo de confiança ou a confirmação por meio do teste de DNA.

O primeiro sinal do sentimento de responsabilidade está no reconhecimento da paternidade. E isto implica muito mais do que apenas admitir que é o pai e pagar algumas contas. Ajudar a criar o bebê  é válido, mas não constitui o fundamental do sentimento de paternidade. Ser pai significa participar do desenvolvimento do filho pelo contato com a mãe e a criança na alimentação e nos cuidados, estabelecendo uma relação amorosa com o filho. Isto, em geral, só ocorre quando o garoto reconhece a paternidade de forma voluntária. O apoio dos pais do garoto que vai se tornar pai também é fundamental.

Nem todos têm essa oportunidade. Muitos garotos, inseguros e medrosos, tornam-se indiferentes diante das  namoradas grávidas e de seu filho.  Já outros adolescentes querem exercer a paternidade, mas, vulneráveis economicamente, sofrem pressões de toda natureza, principalmente de sua família, para não assumir a criança que vai nascer, uma vez que a chegada deste filho pode atrapalhar os planos da família.

Consequências profissionais e afetivas

Uma pesquisa americana acompanhou por 11 anos casais de adolescentes pais e seus colegas de turma. Os jovens pais, quando comparados aos colegas que postergaram a paternidade, tinham atingido menor nível educacional e, mais frequentemente, realizavam trabalhos de menor prestígio; esperavam ter mais filhos e seus casamentos eram menos estáveis. O que se pode concluir?

A paternidade na adolescência é algo que pode e deve ser evitado por causa das consequências negativas que traz à vida do garoto envolvido, sua família e todo o seu ciclo social e educacional. A adolescência não é o melhor momento para se ter um filho, principalmente, para quem acredita nos próprios  sonhos e nas expectativas que criou para si.

A prevenção é a melhor opção

Por mais trabalhosa que possa parecer, a prevenção ainda é a melhor atitude a se adotar. E esta, meus caros garotos, pode e deve estar nas suas mãos. Se você não quer apostar no risco, não credite na garota toda a responsabilidade sobre o seu futuro. Assim,  só há uma maneira:  USE CAMISINHA em todas as relações sexuais, mesmo que o namoro seja antigo e sua namorada tome pílula ou use outro método contraceptivo.

Mas, se você apostou no risco e tornou-se um pai adolescente, não faça deste fato uma tragédia e nem a desculpa para todas as dificuldades que tiver que enfrentar pela frente. Nenhum fato tem apenas o lado ruim! Identifique os aspectos positivos dessa transição e procure tirar proveito dessa experiência maravilhosa que é ser pai.

Escrito por: Maria Helena Vilela

Tags: paternidade

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