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Verdades e Mitos: falando de homossexualidade

É preciso deixar claro que a homossexualidade é o desejo de se vincular de forma afetiva e sexual com alguém do mesmo sexo. Ou seja: um outro jeito de ser, no que se refere à pessoa por quem se sente tesão. Apesar de ser um fenômeno aparentemente simples, ainda há muitas ideias erradas sobre ele.

Até bem pouco tempo, a homossexualidade era considerada uma doença. Hoje já se sabe que não é. Muitas teorias tentam explicá-la, mas ainda não existe um consenso. A mais aceita das teorias é aquela que fala sobre a combinação entre uma predisposição genética e fatores psicológicos (a forma como cada pessoa registra fatos, sentimentos e impressões) e sociais (o meio em que vive, a forma como a família lida com a valorização sexual e a cumplicidade entre os sexos).

Mitos, tabus e preconceitos são ainda muito comum no nosso meio, principalmente entre os jovens:  homossexualidade seria uma escolha, ou resultado da falta ou do excesso de sensibilidade, vamos conversar a respeito?

MITOS

Frustração amorosa?!

Muitas pessoas acreditam que as lésbicas são mulheres que não conseguiram arranjar namorado, ou que sofreram frustrações ou algum trauma com homens. Nada disso foi constatado como verdade. Talvez a dificuldade esteja no fato das pessoas heterossexuais imaginar que o prazer sexual feminino não seja possível sem a presença do pênis.

Quanto aos gays, muita gente acha que a homossexualidade é decorrente de uma experiência traumática nas primeiras relações sexuais com uma mulher. Os homossexuais não são heterossexuais frustrados! São pessoas, cujo desejo sexual está no outro, que é do seu mesmo sexo.

Uma questão de escolha?!

Ninguém é capaz de escolher por quem sentirá tesão. Não conheço nenhum trabalho que traga o depoimento de um único homossexual que faria a escolha da homossexualidade, se pudesse, porque, mais que ninguém, o homossexual sente o peso da discriminação social. Do mesmo jeito que as pessoas não escolhem suas preferências entre loiros ou morenos, "sarados" ou barrigudos, sérios ou divertidos, elas também não conseguem determinar se o desejo é por alguém do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos. Apenas realizar ou não o desejo afetivo-sexual, pôr em prática o relacionamento é que é uma questão de opção que pode ser feita ou não pelo indivíduo.

Uma questão de sensibilidade?!

Existe uma crença popular de que um homem sensível e delicado é homossexual. A sensibilidade é a capacidade de sentir e perceber o que está acontecendo a nossa volta e não tem nada a ver com a orientação sexual de uma pessoa. A garota pode ter um jeito mais grosseiro de lidar com as pessoas e nem por isso ser lésbica, ou o garoto ter certo trejeito e não ser gay. O papel sexual, ser masculino ou feminina, não tem nada a ver com a orientação sexual (a orientação do desejo). Muitos meninos agressivos e meninas delicadas podem ser homossexuais.

Homossexualidade é doença mental ou desvio psicológico?!

Nem uma coisa e nem outra! Durante muito tempo, a homossexualidade foi interpretada pela medicina como uma doença. Mas, na década de 70, todas as associações de profissionais de saúde mental, inclusive a OMS (Organização Mundial de Saúde) concluíram que não se tratava de uma doença mental ou de distúrbio psicológico. Portanto, não existe tratamento para uma pessoa "deixar de ser homossexual". O que a medicina ou a psicologia podem fazer é prestar ajuda para que o homossexual aprenda a lidar com o seu jeito de ser, sexualmente diferente do que a sociedade deseja para ele, sem deixar que isto atinja as outras características pessoais. Ou seja, é possível ser homossexual e ser, ao mesmo tempo, um profissional competente, um filho amoroso, um amigo corajoso, um cidadão que conhece e respeita seus direitos e deveres, uma pessoa divertida, feliz e que pode e deve conquistar o respeito de todos.

RESPEITO

Mudar o rumo da História

Muitas pessoas não se conformam com a existência da homossexualidade, principalmente quando o homossexual é alguém próximo e querido. Todos querem saber o que podem fazer para conseguir ajudar alguém a "não ser homossexual". Não existe esta possibilidade. Até o momento, ainda não foi cientificamente comprovado nenhum tipo de procedimento que faça de alguém homo, bi ou heterossexual. O que nós sabemos é que, na nossa sociedade, existem jeitos sexuais diferentes de ser. E o que se pode fazer é aprender a lidar com as diferenças. Diferença não é sinônimo de deficiência! É um outro jeito de ser um ser humano.

A sexualidade se desenvolve em contextos diversos, a partir de experiências distintas. Portanto, é inútil se ter o desejo de que todas as pessoas correspondam ou se ajustem a um único modelo de ser sexualmente feliz.

Escrito por: Maria Helena Vilela

Tags: respeito,homossexualidade

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Quem ama não maltrata!

“Quando estamos sozinhos meu namorado é um doce de pessoa, mas quando estamos com amigos ele às vezes me trata mal. Não sei mais se ele me ama mesmo. O que devo fazer?”

Histórias tristes que estiveram diversas vezes nos noticiários: o assassinato de mulheres – como o caso de Eliza Samudio e Mércia Nakashima. Porque foram assassinadas? Nenhum motivo será suficiente para justificar a crueldade, de certos homens em achar que tem o poder “de vida ou de morte” sobre mulheres que estão ou passaram na sua vida. E esta é uma perversa realidade para milhares de mulheres brasileiras, mesmo a “Lei Maria da Penha” tendo sido sancionada pelo Presidente da República há, exatamente, 4 anos – no dia 7 de agosto de 2006.

Estou trazendo este tema para vocês porque a violência de gênero, além de ser um tema importante na sexualidade, não é exclusivo da vivência dos adultos. A pergunta desta garota na revista Capricho me chamou a atenção para isso.  O “tratar mal”, que ela se refere, pode parecer uma queixa boba de garota romântica, mas também pode ser uma situação para a menina ficar esperta e cair  fora desse relacionamento.   

Lei Maria da Penha

Esta lei foi assim chamada para homenagear Maria da Penha Maia Fernandes, biofarmacêutica que ficou paraplégica depois de levar um tiro do próprio marido enquanto dormia e conseguiu, depois de lutar por 20 anos, que ele fosse condenado.

Até então, o crime de violência contra a mulher era desconsiderado e quando julgado, isto era feito pelo mesmo juizado que tratava de causas como briga de vizinho e acidente de trânsito. Assim, além de criar em todos os estados um juizado especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a Lei Maria da Penha alterou o Código Penal e permitindo, principalmente, que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada. A lei também traz uma série de medidas para proteger a mulher agredida, que está em situação de agressão ou cuja vida corre riscos. Infelizmente, a sua real aplicação está falha, como podemos observar no caso da Eliza Samudio que pediu proteção e lhe foi negada com a desculpa de que a Lei é para pessoas que vivem juntas. No entanto, segunda a defensora pública do Núcleo da Mulher de São Paulo, esta lei protege relacionamentos estáveis e eventuais, como por exemplo – o ficar.

A realidade brasileira

Depois que a Lei que protege as mulheres começou a ser aplicada, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres colocou à disposição da população um número de telefone para denunciar a violência doméstica e orientar o atendimento. O número é o 180 e, recebe três mil ligações por dia.

Dentre as formas de violência mais comuns, identificadas neste serviço, destacam-se a agressão física mais branda, sob a forma de tapas e empurrões, seguida pela violência psíquica de xingamentos, com ofensa à conduta moral da mulher, e a ameaça através de coisas quebradas, roupas rasgadas, objetos atirados e outras formas indiretas de agressão.

O Banco Mundial estima que a violência de gênero no mundo cause mais danos e mortes entre as mulheres entre 15 e 44 anos do que câncer, malária, acidentes de trânsito, ou até mesmo a guerra. Para se ter uma idéia, o "Mapa da Violência 2010", estudo realizado pelo Instituto Sangari, constatou que entre 1997 e 2007, a média de assassinatos de mulheres foi de dez por dia no país.  Por isso todo esforço é necessário para ajudar as garotas a se prevenir de situações perversas.

Escrito por: Maria Helena Vilela

Tags: violência,respeito

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O S.O.Sex - Serviço de Orientação Sexual à distância é uma das áreas de atuação do Instituto Kaplan. Criado em 1992, tem como objetivo atender as pessoas que buscam esclarecimentos de suas dúvidas sexuais, por meio de atendimento gratuito e personalizado. Até 2011 mais de 150.000 dúvidas foram esclarecidas e hoje atendemos poEmail. Saiba mais sobre nosso trabalho e resultados.